As emoções afetam toda a nossa vida: os pensamentos, os
sonhos, as relações humanas, as decisões, as escolhas, etc. Invadem-nos a alma,
o intelecto, o corpo. Atiçam a imaginação. Servem de tema e energia aos sonhos.
Estão presentes em todas as formas de arte (na literatura, no cinema, no
teatro, na dança, etc.). Na verdade, a vida humana sem as emoções seria
excessivamente racional, mecânica, fria e descolorida.
Diversos estudos (J.LeDoux, 1996) levam a acreditar que as
emoções podem não estar tão distantes do pensamento e do intelecto como
antigamente se pensava. Elas parecem ser produto de uma “sabedoria evolutiva” e
revelam algum tipo de inteligência adicionado.
Primariamente, podemos admitir como seguro que as emoções
têm um papel decisivo na sobrevivência. Um bom exemplo disso é a emoção do medo
que permite que as pessoas sejam mais prudentes e corram menos riscos. Esta
emoção protege-nos de nos lançarmos em ações que podiam fazer perigar a nossa
vida. Com o medo aprendemos a perceber os limites.
Depois, vem uma outra função para as emoções: a social.
Através das emoções somos mais capazes de estabelecer relações afetivas,
cordiais e construtivas com os outros e daí resultarem benefícios para todos
(cooperação, partilha, ajuda, etc.).
Através destes exemplos podemos concluir que as emoções
existem nos seres humanos (e noutros animais) há muito tempo, executam tarefas
de defesa, proteção e ajuda visando, afinal, a sobrevivência. A sua origem e a
sua finalidade central são, por conseguinte, biológicas mas com um tremendo
impacto nas restantes actividades humanas.
Isso explica porque as emoções acontecem, numa primeira
fase, em níveis não conscientes. Elas são accionadas por processos de percepção
rapidíssimos que apreendem as situações através de um sistema neurológico
complexo e ditam as respostas necessárias adequadas a cada situação. Por isso é
que primeiro sentimos as emoções e depois pensamos sobre as suas causas e
sensações provocadas.
Esse é o papel sobretudo das chamadas emoções primárias, básicas
ou primitivas e algumas delas estão também presentes em outros animais. Mas
existem, no ser humano, emoções mais complexas (na verdade, parecendo ser uma
mistura de emoções e por isso se chamarem “emoções combinadas”) que são
provocadas por situações de natureza mais social. É o caso da vergonha. É uma
das quatro emoções que estão ligadas à nossa autoconsciência (isto é, a
consciência de quem somos). As outras três são o acanhamento, o orgulho e a
altivez.
Nelson S. Lima