EMOÇÕES HUMANAS

O que são as emoções? - Para que servem? - Como se exprimem? - Como nos afectam? - Visão biológica - Visão médica - Visão psiquiátrica - Visão psicológica - Visão filosófica - Visão espiritual - Afectividade e saúde - Perturbações e doenças da emoções - Emoções não conscientes e conscientes - Os relacionamentos e as emoções - A comunicação emocional - A regulação das emoções - Como as emoções auto-organizam a mente - Como as emoções mantêm a mente integrada e unida - O conceito do EU - O Código das Emoções para o bem-estar e a felicidade.

TEXTOS de Nelson. S. Lima

O FUTURO DO AMOR


Na minha vida, o amor foi sempre um tema presente por boas e por más razões. Julgo que, neste capítulo, não sou diferente dos outros humanos. Fui feliz e infeliz, também. É que, como todos sabemos, o amor pode ser gerador de sentimentos menos bons. Um amor não correspondido, por exemplo, dá origem a deceção e sofrimento. Isto não é novo. Sempre foi assim em todos os tempos.

O problema atual é outro. Os humanos parecem estar a perder a capacidade de amar! Ou melhor, são capazes de amar mas dedicamse menos ao amor. Tenho reparado que as pessoas amam cada vez mais à distância por telemóvel, por Internet, em solidão e em silêncio. Na verdade, correspondemse uns com os outros, avidamente, teclando. Mas vão perdendo o sentido das prioridades.

Muitas pessoas comunicam por necessidade de comunicar, de estarem conectadas aos outros, mais para se fazerem ouvir (ou ler) do que para ouvirem e lerem os outros. No amor parece estar a acontecer o mesmo.

Nas famílias atuais, as pessoas passam mais tempo a ver televisão, a teclar no computador ou no "smartphone". Para além de que passam mais tempo com os colegas de trabalho do que com os filhos ou com o seu companheiro. O cenário é, neste capítulo, dececionante. Não é por acaso que as famílias estão a desestruturarse, aumentam os divórcios e os conjugues vivem cada um no seu mundo.

O amor é um sentimento multifocal. É, segundo a psicologia, uma confluência de paixão, intimidade e união. Está ligado a numerosas emoções e influencia os comportamentos. O amor, ele próprio, combinase com sentimentos de fundo como a excitação, o bemestar, o entusiasmo e a harmonia.

O amor influencia também o estado do nosso Eu (nas suas dimensões espiritual, psíquica e física) e pode contribuir para o enriquecimento da autoestima. O que quer dizer que, na ausência do sentimento do amor ou na sua falta de correspondência, o nosso psiquismo pode falhar, sofrer ruturas e provocar sentimentos de frustração, desânimo, tristeza e depressão.

O ser humano está predisposto geneticamente para amar e ser amado porque é um animal profundamente social, envolvido em múltiplas redes de relações (familiares, comunitárias, laborais, etc.).

Os sentimentos têm servido ao Homem para o influenciar na sua percepção de si e do mundo e a leválo a agir no e sobre o mundo. O amor, em particular, é um estimulante poderoso (motivador) da ação. Já a falta de amor e afeto conduz à inação.

Amor em mudança

O desenvolvimento da capacidade de amar depende de fatores históricos, culturais e familiares. O amor, hoje, é diferente de épocas passadas. Por exemplo, no período do Romantismo (final do século 18 e grande parte do século 19), o amor estava associado à paixão - um sentimento intenso, contemplativo e subversivo. Era sentido como emancipador, mesmo que trágico como na história de Romeu e Julieta.

Atualmente, o amor é mais dominado pela racionalidade. O amor já não provoca escravidão como à época do Romantismo. O sofrimento é mais limitado nas suas consequências e não amar para toda a vida já não constitui um drama para a maioria das pessoas.

O amor romântico extremo, fantasista, por exemplo, ainda que procurado por muitas pessoas, não passa atualmente de um mito. «A paixão de hoje é mercadoria de consumo. Não tem mais a ver com o destino, com os riscos, com o enfrentamento» - escreveu Renato Ribeiro, professor titular de Ética e Filosofia Política.

As transformações sociais modificaram um pouco a forma como o amor é percebido, sentido e gerido. O modo de amar depende muito das aprendizagens sociais nos primeiros anos de vida. Num mundo em que aumentam os divórcios entre casais, os filhos ficam menos preparados para relacionamentos amorosos duradouros.

Por outro lado, atualmente, ensinase mais sobre as relações sexuais do que sobre as relações amorosas. Os jovens sabem mais sobre sexo do que sobre amor. E isto influencia o seu comportamento no mundo. 

É de prever que no futuro, os divórcios possam aumentar e a própria instituição do casamento, tal como a conhecemos hoje, desapareça. Aliás, já há casos de paixões com "humanos virtuais" que mais não são do que robôs alugados ao mês. Em 2005, a empresa Artificial Life, de Hong-Kong, criou uma "namorada virtual" de nome Vivienne, com quem os homens podiam conversar e partilhar "sentimentos" mediante o pagamento de uma mensalidade.

Vivienne
Vivienne era, obviamente, um programa de computador mas a "moça" teve milhões de "namorados" e muitas esposas foram traídas da forma mais inesperada possível.

Nelson S Lima

O SORRISO

O sorriso é uma manifestação tipicamente humana envolvendo uma das expressões faciais que mais frequentemente observamos nas pessoas. Sendo uma representação física de um estado mental (uma emoção, um sentimento), ele funciona como um artefacto que está presente na comunicação humana.

Na convivência social, o sorriso alivia tensões, facilita as relações, gera confiança. Por isso mesmo, uma pessoa naturalmente sorridente torna-se, aos olhos dos outros, numa pessoa simpática, atraente e cativante.

O sorriso é provocado de forma espontânea por estados emocionais geralmente associados ao prazer, à gratidão ou à surpresa agradável. Ele exprime-se através de uma série de músculos faciais cujo controlo é gerado automaticamente pelo sistema límbico, área do cérebro responsável pelas emoções. Isto significa algo muito interessante: todo o sorriso genuíno escapa a qualquer controlo consciente e por causa disso é muito difícil de evitar e também de inventar.

Não obstante, o sorriso é muitas vezes utilizado para ludibriar os outros. Há quem, com grande treino, consiga exibir sorrisos com alguma expressividade como acontece no teatro e no cinema. Na vida social, nos negócios e na política, os falsos sorrisos são também um recurso frequente para a obtenção de um clima simpático, gerador de confiança. 

Por exemplo, os vendedores aprendem a sorrir com alguma convicção para obterem uma atmosfera que dilua dúvidas nos potenciais compradores. O sorriso é pois uma ferramenta auxiliar da persuasão. Infelizmente, os falsos sorrisos, que escapem à atenção da vítima, podem ter consequências desastrosas quando são usados para enganar e obter vantagens menos lícitas junto de alguém.

Qual é a diferença decisiva?Acontece, porém, que um falso sorriso é muito diferente de um sorriso genuíno, o que nos permite detectá-lo e assim preparar-nos para nos protegermos.

Vejamos os mecanismos do sorriso: aquele que é verdadeiro exprime-se através de dois grupos de músculos faciais: o chamado “zigomático maior” e o "orbicularis oculi". O primeiro altera a boca; o segundo afeta o aspecto dos olhos. Ora bem, quando uma pessoa finge que está a sorrir apenas consegue controlar os músculos da boca. Não os dos olhos.

É que a expressão do sorriso nos olhos é controlado automaticamente pelo sistema límbico e fica inacessível a qualquer manipulação. Assim, não havendo uma genuína emoção que dê origem a um sorriso verdadeiro, os olhos ficam inexpresssivos ou então adquirem um aspecto estranho, não correspondente à emoção que se pretenda transmitir.

Quando alguém sorrir para si, não se deixe cativar apenas pela impressão geral. Se tiver dúvidas da sinceridade do interlocutor fixe a sua atenção nos olhos da pessoa e certifique-se que eles também "sorriem", isto é, se a expressão em torno deles se modificou de forma correspondente à da boca ou se, pelo contrário, se mantiveram inalterados ou com um aspecto desajustado do sorriso que a boca exibe.

Nelson S Lima

CONTROLE AS SUAS PREOCUPAÇÕES



Como devem imaginar eu levo uma vida onde não faltam preocupações, algumas delas viscosas e desgastantes. São os compromissos, as diferentes tarefas, as rotinas saturantes, os afazeres que sou por vezes obrigado a adiar, a atenção dada aos filhos, etc. Vocês sabem como é pois, mesmo com vidas diferentes, todos nós estamos sempre envolvidos por preocupações.

As preocupações decorrem de prazos que temos de cumprir, de atividades que têm de ser feitas (sobretudo as que não nos cativem), de aborrecimentos variados, de indisposições, de doenças e tratamentos, até mesmo de pessoas que nos aborrecem, e tudo o mais que vocês sabem tão bem como eu.

Ao fim de uns anos de sermos assolados constantemente por preocupações chegamos a um ponto em que quase só nos restam duas saídas: ou desistir de tudo (que é o que às vezes nos apetece fazer); ou arranjar um modo qualquer de contornar os problemas. É óbvio que só teremos a chance de escolher uma delas se, entretanto, o stresse, a ansiedade ou a depressão (ou todas juntas) não nos tiverem abatido e colocado fora de combate.

UMA SOLUÇÃO NÃO IMPOSSÍVEL
Eu aprendi a preocupar-me o mínimo possível, distanciando-me das coisas. É difícil e nem sempre tenho êxito nessa estratégia. Mas vale a pena tentar.

O que costumo fazer é não me preocupar muito com assuntos que não passam ainda de pensamentos acerca de algo não concretizado. Há pessoas que começam cedo demais a preocupar-se com isto e com aquilo (tarefas, exames, entrevistas, viagens, decisões distantes no tempo, etc.) e ocupam o pensamento com toda a tralha que são capazes de imaginar, criando uma espiral de ansiedade da qual não se libertam facilmente.

Também defino prioridades para as próprias preocupações para que não me sufoquem. Ou seja, perante um novo problema, pergunto-me se tenho que me preocupar mal ele surja. Geralmente, não vale a pena o desgaste. Além de que, se me preocupar antes de tempo, corro o risco de perder energia e discernimento para o resolver na hora devida.

Depois, tento quantificar a urgência e a importância do assunto. É mesmo urgente pensar já nele? Quão grave é? Que impacto pode ter na minha vida?

Se mantivermos alguma hipótese de nos distanciarmos temporalmente e emocionalmente desse tipo de assuntos, as preocupações terão menor impacto. Assim, quando chegar a altura de os enfrentarmos, estaremos mais fortes para o fazer.

OUTROS ERROS
Muitas vezes antecipamos excessivamente cedo os motivos das preocupações que infestam a nossa vida. E isto não é bom porque nos cansa e até desmotiva.

Salvo raríssimas exceções, a maioria das preocupações não valem a energia que nos fazem despender antes de tempo. Vivemos tempos difíceis e atormentados. Temos de nos preocupar com isso, é verdade. Mas não poderemos adiar para depois tudo aquilo que o simples pensar nisso possa trazer de mau? Na hora certa, atuaremos. Sofrer antes, não. Se tivermos de sofrer, que seja na hora certa.

Muitas vezes somos também contagiados pela atmosfera emocional das pessoas facilmente preocupadas até com pequenas coisas, daquelas que nem se pode dizer que são problemas. Mas que nos infetam com os seus lamentos, os medos infundados, as repetições sucessivas das suas preocupações quotidianas e banais, lá isso é verdade.

E, FINALMENTE...
Paremos para pensar. Façamos uma lista de tudo aquilo que mereça a classificação de "motivo de preocupação" e arrumemos as coisas conforme a sua urgência e importância.

Assim, mentalmente organizados, é mais fácil viver. Mesmo que se avizinhem novas preocupações. Na hora certa, pensaremos nelas. Agora, não. É a minha regra. E resulta quase sempre.

Nelson S Lima

EMOÇÕES E OUTROS SENTIRES


As emoções afetam toda a nossa vida: os pensamentos, os sonhos, as relações humanas, as decisões, as escolhas, etc. Invadem-nos a alma, o intelecto, o corpo. Atiçam a imaginação. Servem de tema e energia aos sonhos. Estão presentes em todas as formas de arte (na literatura, no cinema, no teatro, na dança, etc.). Na verdade, a vida humana sem as emoções seria excessivamente racional, mecânica, fria e descolorida.

Diversos estudos (J.LeDoux, 1996) levam a acreditar que as emoções podem não estar tão distantes do pensamento e do intelecto como antigamente se pensava. Elas parecem ser produto de uma “sabedoria evolutiva” e revelam algum tipo de inteligência adicionado.

Primariamente, podemos admitir como seguro que as emoções têm um papel decisivo na sobrevivência. Um bom exemplo disso é a emoção do medo que permite que as pessoas sejam mais prudentes e corram menos riscos. Esta emoção protege-nos de nos lançarmos em ações que podiam fazer perigar a nossa vida. Com o medo aprendemos a perceber os limites.

Depois, vem uma outra função para as emoções: a social. Através das emoções somos mais capazes de estabelecer relações afetivas, cordiais e construtivas com os outros e daí resultarem benefícios para todos (cooperação, partilha, ajuda, etc.).

Através destes exemplos podemos concluir que as emoções existem nos seres humanos (e noutros animais) há muito tempo, executam tarefas de defesa, proteção e ajuda visando, afinal, a sobrevivência. A sua origem e a sua finalidade central são, por conseguinte, biológicas mas com um tremendo impacto nas restantes actividades humanas.

Isso explica porque as emoções acontecem, numa primeira fase, em níveis não conscientes. Elas são accionadas por processos de percepção rapidíssimos que apreendem as situações através de um sistema neurológico complexo e ditam as respostas necessárias adequadas a cada situação. Por isso é que primeiro sentimos as emoções e depois pensamos sobre as suas causas e sensações provocadas.

Esse é o papel sobretudo das chamadas emoções primárias, básicas ou primitivas e algumas delas estão também presentes em outros animais. Mas existem, no ser humano, emoções mais complexas (na verdade, parecendo ser uma mistura de emoções e por isso se chamarem “emoções combinadas”) que são provocadas por situações de natureza mais social. É o caso da vergonha. É uma das quatro emoções que estão ligadas à nossa autoconsciência (isto é, a consciência de quem somos). As outras três são o acanhamento, o orgulho e a altivez.

Nelson S. Lima 

AS EMOÇÕES: PARA ALÉM DO SENTIR

No desenvolvimento da mente, as emoções desempenham um papel determinante! Assim como a memória é fundamental para o nosso conhecimento auto-biográfico e a formação do EU, as emoções participam activamente num processo que se chama “integração”, isto é, a capacidade da mente inter-relacionar “uma variedade de processos na sua atividade presente, bem como o seu funcionamento ao longo do tempo” (Siegel, 1999). 

Como atesta este investigador, “a emoção é inerentemente uma função integrativa que liga os processos internos (mentais e orgânicos) e os indivíduos”. Ou seja, ao contribuir para a formação da auto-consciência (estado mental em que temos conhecimento da nossa própria existência e da existência daquilo que nos rodeia), as emoções determinam a qualidade e a coesão daquilo que sentimos.

Nesta função integradora (que nos permite ter consciência de que somos uma pessoa singular e também nós-mesmos e não outra) entram ainda outros processos dinâmicos que conduzem aos chamados “estados de espírito” (ou sentimentos de fundo) como os sentimentos (mais duradouros que as emoções), as percepções, os pensamentos, as memórias, as atitudes, as crenças e os desejos, e no modo como tudo isto influencia o nosso comportamento e as nossas interações com os outros.

Nelson S Lima 

O corpo faz a mente; a mente faz o corpo!

São muitos os factores que afectam o desenvolvimento mental ao longo da vida. Destacam-se a Experiência de Viver, as Aprendizagens, as Relações Interpessoais, etc.

Observe-se que, sendo o ser humano, uma espécie sociável, as interacções com os outros moldam a mente à medida que continuam a desenvolver-se ao longo da vida. E ao moldarem a mente, moldam directamente a estrutura e a função do cérebro. Isto é muito importante e deve ser fixado: as experiências da vida, em especial as vivências interpessoais, moldam o cérebro e, consequentemente, organizam a mente.

Daqui conclui-se que a mente emerge a partir da actividade do cérebro. Daniel Siegel defende que as “ideias deste enquadramento estão organizadas em redor de 3 princípios fundamentais:

1. A mente humana emerge de padrões no fluxo de energia e informação no interior do cérebro ou entre cérebros (pessoas).
2. A mente é criada no seio da interacção dos processos neurofisiológicos internos e das experiências pessoais.
3. A estrutura e a função do cérebro em desenvolvimento são determinadas pelo modo como as experiências, especialmente no cerne das relações interpessoais, moldam a maturação geneticamente programada do sistema nervoso” (Siegel, 1999).

Resumindo, isto quer dizer que as ligações humanas determinam as ligações dentro do cérebro (ligações neuronais) a partir das quais a mente emerge.

Aqui, levanta-se uma questão que importa esclarecer: afinal, o que é a mente?

No livro “O Livro da Consciência” (2010), António Damásio diz que o cérebro (e o sistema nervoso em geral) tem como primeira função reconhecer o organismo em que está inserido e, assim, realiza mapas sobre as estruturas que compõem o corpo, assim como os estados funcionais dos vários órgãos. Estes “mapas” que a todo o instante o cérebro realiza sobre o organismo e as suas funções (condição fundamental de sobrevivência) “são a base das imagens mentais”. E, assim, “graças ao cérebro, o corpo torna-se um tema natural da mente”.

AS EMOÇÕES AGRESSIVAS

Você sabia que há emoções que podem viciar o nosso corpo ao ponto de ficarmos dependentes delas como qualquer droga?


A ciência descreve as emoções humanas como estados passageiros que podem ser avaliadas em termos de tipo, intensidade, duração, variabilidade, mobilidade, amplitude e expressividade (entre outros parâmetros mais ou menos significativos).

Esta breve descrição permite perceber que são estados altamente dinâmicos e que mobilizam o organismo (de alguma forma, as emoções descrevem também o estado de saúde já que são profundamente orgânicas pese embora a sua componente psicológica). 

Numerosas pesquisas têm vindo a alertar para uma situação que está a tomar proporções preocupantes e que já conta com milhões de vítimas. É o caso das emoções agressivas  que romperam com uma das suas características. Tornaram-se "emoções de longa duração" (E.L.D.) e adquiriram a natureza de um vício ao envolverem químicos (hormonas) produzidos pelo organismo como são a adrenalina, o cortisol e as endorfinas.

As pessoas que sofrem de E.L.D. queixam-se de extremo cansaço, dificuldade em reagir, profunda desmotivação, dores musculares, períodos de sonolência diurna, perda de apetite ou a busca de alimentos açucarados como o chocolate de leite.

COMO SE FORMAM E ATUAM AS E.L.D.

Geralmente as emoções seguem uma sequência: início, carga, tensão, descarga e recuperação. Pode demorar minutos ou horas, e eventualmente repetir-se como acontece com o medo (uma emoção primitiva e vulgar).

No caso das E.L.D. acontece que as emoções ficam prisioneiras de uma ou mais situações e mantêm-se por longos períodos, variando apenas na sua intensidade. Diz respeito a emoções negativas que são desencadeadas e alimentadas por acontecimentos da vida.

A sua presença gera uma tensão nervosa constante obrigando o corpo a produzir mais adrenalina, mais cortisol e mais endorfinas já que - e este ponto é crucial - cria-se um ciclo vicioso e não há a etapa final de vida de qualquer emoção: a recuperação da estabilidade. O corpo mantém-se sempre em estado de alerta e defesa (injetando adrenalina no sangue e provocando distúrbios como nervosismo, hiperatividade, hipertensão, dores musculares, palpitações, problemas digestivos, etc. seguindo-se da produção de endorfinas que atuam como alívio dado o facto de ter propriedades analgésicas e prazerosas).

Ou seja, para que o corpo possa resistir à persistência da agressão química ele auto injeta-se de endorfinas (palavra composta por "endo" que significa interno e "morfina" - um forte analgésico).

A pressão e a confusão geradas pelas E.L.D. levam ao desgaste do organismo podendo  contribuir para o desencadear de inúmeras doenças, incluindo as de foro cancerígeno (oncológico).

As emoções que contribuem para uma situação de E.L.D. derivam de eventos e situações da vida - elas próprias prolongadas e que são geradoras de angústias, desgostos, traumas, perdas emocionais, desesperança, ofensa, etc.

O ciclo torna-se vicioso e requer um tratamento específico pois - e isto é importante que se diga - a pessoa com E.L.D. acaba por "aprender" a viver com preocupações, conflitos e stress, necessitando daquelas "drogas" que o seu próprio corpo produz e a que se habituou, em especial as hormonas calmantes e euforizantes (no caso, as endorfinas).

Não se pode acusar uma pessoa que sofra de E.L.D. de procurar viciar-se. Ela está doente e viciada. E, por conseguinte, vive num círculo infernal que, a prazo, vai despoletar qualquer doença orgânica mais grave ainda.

Não se confunda o síndrome de E.L.D. com a depressão. Um estado depressivo pode ser sintoma da presença de "emoções de longa duração" agressivas.

Nelson S Lima 

O que deve fazer para mudar!


Muitos dos nossos problemas residem em hábitos estabelecidos e dos quais não temos geralmente consciência. Eles dão origem a comportamentos, atitudes e escolhas que repetimos rotineiramente. Chamam-se padrões.

Alguns desses padrões são positivos mas muitos outros impedem-nos de usufruir de uma vida melhor. Quando cometemos repetidamente certos erros devido aos tais padrões inconscientes isso significa que, bem lá no fundo, nós acreditamos que, insistindo nos mesmos, conseguiremos algum dia atingir os nossos fins. E nós insistimos porque sofremos daquilo que Freud chamou de "compulsão de repetição", a qual chega a ser, segundo ele, "mais forte que a vontade de viver e mais forte que o medo de morrer".

E então surge a decepção quando verificamos que os nossos padrões de comportamento inconscientes não nos levam onde queremos. Na verdade, nós tornamo-nos escravos desses padrões porque eles são motivados pela esperança otimista de que algum dia resultarão.

Você não imagina quantas pessoas talentosas e cheias de potencialidades ficam longe de realizar os seus sonhos por causa desses resultados sistematicamente improdutivos. Muitas pessoas queixam-se da má sorte ou do mundo cruel que as impedem de ter sucesso na vida (pessoal, profissional, etc.). 

Ora a verdade é que é vulgar verificarmos que o problema está na própria pessoa, a qual está a cometer os mesmos erros sistematicamente. É como estar 2 ou 3 anos a responder a anúncios para arranjar um novo emprego. Está bem de ver que 2 ou 3 anos a responder a anúncios são mais que suficientes para concluirmos que esse não é o caminho. Este é um bom exemplo de um padrão e de como insistimos nele esperançosamente. E, entretanto, o tempo passa e as coisas provavelmente pioram.

Ora, frequentemente, uma qualquer mudança na nossa vida (como arranjar um emprego) só é possível quando quebramos alguns dos nossos padrões de comportamento. O segredo está em aproveitarmos a energia que os anima. Temos de repensar, de fazer uma auto-psicanálise para descobrirmos onde estamos a errar ou onde está o obstáculo que nos impede de seguir para uma nova etapa com sucesso.

Em conclusão: nós precisamos de seguir determinados padrões e adquirir hábitos saudáveis para termos uma vida bem sucedida. Mas quando cometemos certos erros com alguma frequência ou nos sentimos infelizes com a nossa vida talvez precisemos de mudar alguns padrões. 

O psicanalista Dr Farrell Silverberg, de Filadélfia (Estados Unidos) criou uma fórmula que nos pode ajudar a quebrar os tais padrões improdutivos. Diz ele que o processo é:

1º Descobrirmos os padrões que nos conduzem a erros ou insucessos que se repetem com alguma insistência.
2º Analisá-los e compreender como se formaram e funcionam.
3º Fase da mudança: quebrar os padrões que nos impedem de avançar e adotar outros mais produtivos.
4º Mexermos no nosso estilo de vida para defendermo-nos de cair nos padrões de comportamento anteriores.

Será precisa alguma coragem para mudarmos os nossos padrões? Talvez. Mas o mais importante é querer mudar e passarmos à ação. Sem adiar para amanhã (adiar para amanhã é um padrão de comportamento que afeta muita gente).

Nelson S. Lima 

As emoções e sua influência no organismo


Sob o ponto de vista clínico, a experiência emocional é um evento psíquico e somático; no caso das emoções abortadas ou frustradas que não se exprimem senão pela modificação de alguns parâmetros corporais, a emoção pode não chegar à consciência.

Quando ocorrem mudanças no decurso da vida (casamento, mudança de emprego, divórcio, desemprego, entrada na reforma, perda de alguém próximo, mudança de lugar, etc.) põe-se em causa o equilíbrio anterior e as referidas mudanças exigirão uma ajustamento pessoal que confronta as pessoas com a dimensão da perda. Isto aumenta a probabilidade de ocorrer uma doença de tipo neurótico e psicossomático. São momentos de "vulnerabilidade acrescida". Isto é confirmado, por exemplo, pela maior frequência de doenças psicogénicas (sobretudo a depressão) e psicossomáticas nas situações de luto, após a perda de uma pessoa importante na vida. Também se verifica, em cerca de 11% dos futuros pais, sintomas psicogénicos (perturbações de apetência, dores de dentes, náuseas e vómitos), relacionados com a gravidez da respectiva mulher, sintoma que leva o nome de síndrome de a qual provém de um costume muito antigo.

As emoções têm maior impacto na saúde quando são repetidas ou crónicas. Aliás,, os especialistas defendem que a psicossomatização só se verifica quando uma emoção idêntica é vivida frequentemente e a mesma mensagem é enviada com igual frequência para o(s) mesmo(s) sitio(s) do corpo, o que leva ao desequilíbrio energético do(s) mesmo(s).

É a combinação desse desequilíbrio de energias e falta de resistência contra as agressões dos factores patogénicos (relativos às doenças) que vai permitir que uma doença (ou um disfuncionamento) se instale algures no organismo e se torne real. Destaque-se que a doença tomará proporções mais significativas se a pessoa tiver já uma predisposição hereditária para o tipo de problema de saúde em causa.

Nelson S Lima 

O TEMPERAMENTO

















A consultora Maria de Lurdes Capponi escreve, a propósito do "temperamento", que são muito raros os livros e os cursos que estudam as emoções (incluindo os que se debruçam sobre o tema da inteligência emocional) que fazem referência a um dos factores mais determinantes do comportamento humano: o temperamento - uma característica de natureza biológica e psicológica da personalidade e que tem uma grande influência na forma como sentimos, percepcionamos a realidade e reagimos.

Aliás, não nos devemos surpreender por essa falha porque o temperamento é das áreas da psicologia menos estudadas com grande rigor científico pelo que pouco se sabe, apesar de ter sido pela primeira vez abordado cerca do ano 400 a.C. pelo grego Hipócrates (considerado o pai da medicina devido aos seus inúmeros contributos para o estudo da saúde).

A SABEDORIA DA FELICIDADE


A felicidade é um conceito que evoluiu ao longo dos tempos. Provavelmente, para os homens primitivos, a felicidade resumia-se a sentirem-se bem, a estarem protegidos dos animais selvagens e terem saúde e comida. As doenças eram muitas e vivia-se poucos anos. A maioria das crianças morria nos primeiros meses de vida. A felicidade, tal como a concebemos hoje, era desconhecida, mesmo impensável.

No tempo dos antigos Gregos a ideia de felicidade já era mais completa: "ter corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada". Demócrito dizia que ela "era a medida do prazer e a proporção da vida" que era, afinal, manter-se afastado dos defeitos e dos excessos.

O filósofo Platão entendia que a felicidade tinha mais a ver com a virtude do que com os prazeres mundanos. Dizia ele: "os felizes são felizes por possuirem a justiça e a temperança; os infelizes são infelizes por possuirem a maldade". E que virtude é essa? É a capacidade da alma para dirigir o homem da melhor maneira!

Com o avançar dos tempos, a felicidade voltou a estar relacionada com o prazer. Os filósofos Locke e Leibniz estavam, nesse aspecto, de acordo: "o grau ínfimo daquilo que pode ser chamado de felicidade é estar tão livre de sofrimentos e ter tanto prazer presente que não é possível contentar-se com menos" (Locke). Assim, a felicidade era o maior prazer de que somos capazes e a infelicidade o maior sofrimento!

Actualmente, com o consumismo exacerbado, a felicidade passou a incluir o prazer de ter coisas, muitas coisas, desde objectos a ambições e riqueza material.

Talvez por nos termos afastado da natureza inicialmente simples da felicidade ela hoje parece ser mais difícil de alcançar. A culpa parece residir em nós. O verbo TER passou a ser mais importante que o SER. E esquecemo-nos que, segundo reza uma lenda indiana, a felicidade está alojada dentro de nós. Entretanto, andamos à procura dela cá fora: nos outros e nas muitas coisas que o mundo moderno tem para nos oferecer mas a que nem sempre temos acesso.

A BOA SOLIDÃO

Importa considerar que os estados de espírito são estados mentais. A sua importância, para além da de ordem prática e que se relaciona com o estado da pessoa, é cientificamente significativa, porque a mente resulta da actividade do cérebro.

Assim, por exemplo, a solidão – tantas vezes tida como algo negativo e indesejável – é uma experiência positiva e necessária. Em que medida? Pois a solidão é uma experiência essencial para que a mente organize os seus próprios processos e crie o chamado “estado interno de ressonância”.

Com efeito, nós precisamos que, de tempos a tempos, a mente se possa centrar em si mesma. Ou seja, nós precisamos também de nos centrarmos em nós mesmos, uma vez por outra.

Afastando-nos para o nosso canto, para um qualquer tipo de refúgio, fugindo das pressões do dia-a-dia e das múltiplas vivências emocionais (por vezes antagónicas e desgastantes) permitimos que a mente alcance um fluxo auto-organizacional equilibrado nos estados de espírito ao longo do tempo.

De certa forma, como escreve O´Donohue (1997), a solidão possibilita a “cicatrização” da mente e também a reflexão necessária para enfrentar novos desafios e mudanças.

Nelson S Lima 

SER FELIZ OU ESTAR FELIZ?



A felicidade é algo profundamente humano. Se é verdade que para alguns ela não passa de um sonho (Voltaire) para outros é o objetivo central da vida (Dalai Lama).

Assunto discutido desde os antigos pensadores, a felicidade tem-se apresentado como um conceito ambíguo e daqui tem nascido a ilusão de que existe em algum lugar e em algum tempo (presente ou futuro) onde se possa ir buscar.

A esperança de que a procura da felicidade pode ser bem sucedida tem levado a muitos dissabores e desilusões. Vejamos algumas ideias aprendidas da psicologia evolutiva (aquela que estuda a evolução da mente humana ao longo da história) e da antropologia (ciência que estuda o ser humano em contexto cultural e a civilização).

1º A felicidade não é um estado permanente que se possa ter como garantido.

2º A felicidade é feita de momentos de bem-estar e prazer máximos (que podem levar ao êxtase momentâneo).

3º A felicidade é um sentimento que varia de intensidade devido a outros sentimentos que se cruzam com ela e a modelam (uma pessoa que se sente feliz não deixa de viver situações de desilusão, incerteza, descontentamento, medos ou doenças que abalam o seu estado de espírito).

4º A felicidade deve ser entendida como a expressão de um onda de alegria e prazer quando obtemos algo que sentimos como uma recompensa.

5º Existem diferentes tipos de felicidade (eu aprendi que existem 17 tipos possíveis - alguns inimagináveis!) e que todos nós experimentamos muitos deles ao longo da vida.

6º Não se aprende a ser feliz como se aprende a escrever pelo que não há receitas definitivas (nem eficazes nem milagrosas).

7º A felicidade é uma experiência de vida que é de domínio muito privado e pessoal pelo que cada pessoa tem a sua própria forma de viver os seus momentos felizes.

Nelson S Lima

EMOÇÕES E EVOLUÇÃO HUMANA

Os humanos ainda ostentam as marcas do tipo de vida que levaram durante milhões de anos, há milhões de anos. Instintos herdados podem ficar gravados no cérebro por muito tempo mesmo depois de terem se tornado obsoletos. Isso talvez explique alguns resquícios comportamentais, tais como o chamado "reflexo de Moro" - uma reacção manifestada por bebés recém-nascidos quando se assustam, na qual eles tentam agarrar com os pés e as mãos. É algo semelhante ao modo como um bebé macaco, quando assustado, se agarra à barriga da mãe.

Outros pesquisadores argumentam que alguns de nossos temores irracionais são resquícios evolutivos dos perigos presentes em nosso ambiente ancestral. "A fobia de aranhas, por exemplo, é muito mais comum do que a fobia de carros", diz o antropólogo Clark Barrett, da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
Nelson S Lima

HARMONIA EMOCIONAL


Somos seres profundamente emocionais. A par dos instintos e da inteligência, das disposições e de todo o universo de sentimentos, que podem ir de simples sensações a estados de espírito, as emoções marcam os nossos dias. São estados passageiros mas refletem interpretações do mundo interno e externo, e que influenciam nosso humor.

Como poderemos ajudar a diminuir nossas angústias, ansiedade e até estados depressivos ligeiros promovendo o nosso bom humor?

Selecionei um conjunto de estratégias que espero poder ajudar quem esteja passando algum mal-estar emocional.

- Dedique-se a atividades fora do habitual, fugindo de rotinas que podem estar empurrando para uma espiral de desmotivação.

- Concentre-se em pequenas coisas, como contemplar o pormenor de obras de arte, fotos, plantas, paisagens, etc.

- Viva em função de pequenas conquistas e não de grande eventos e projetos que causam imenso stress.

- Recorde-se de momentos prazerosos passados. É bom recordar, sem saudosismos, bons momentos.

- Esforce-se por impedir que a sua mente traga para primeiro plano ideias e pensamentos negativos, perturbadores e, especialmente, memórias emocionais desagradáveis. Quando se sentir atraído para esses momentos, saia do lugar onde estiver, evite ler notícias deprimentes, veja filmes alegres, converse com pessoas interessantes, concentre-se em algo que impeça o negativismo.

- Exercite a leitura, documente-se, obtenha um curso (mesmo que pequeno), altere o dia-a-dia. Isso ajuda a pensar com maior lucidez, serenidade e consciência. Mantenha-se, porém, uma pessoa simples e espontânea.

- Evite a todo o custo conversas desagradáveis e negativas. Elas ficam registadas na memória existencial e marcarão os dias futuros.

Muitas vezes, o pessimismo leva-nos a prever o pior. Ora todas as previsões contêm uma grande probabilidade de erro.

- Não sofra por antecipação. Há sempre mais do que um caminho para os problemas.

- Necessita de ativar a sua imaginação, criatividade e conhecimentos.

- Adote uma atitude pró-ativa e empreendedora. Não tema ser diferente ou ser o primeiro a inovar.

 - Conheça melhor as suas emoções próprias. Assim como, uma vez por outra, você mede a sua pressão arterial, faça o mesmo relativamente às emoções. Faça uma lista mensal das emoções que mais frequentemente vive e também as que se apresentam com mais intensidade. Anote as prováveis causas. Assim, poderá ajudar-se a combater as negativas.

- Seja humilde, inteligente e modesto. Não faça planos demasiado ambiciosos. Não se deixe tomar pela euforia. Mantenha-se sereno e racional.

- Mantenha-se consciente de que nem todos os planos são bem-sucedidos. Nem tudo acontece como desejaríamos. Aceitar essa verdade da existencial é meio caminho percorrido para sofrer menos.

- Ganhe mais autonomia. Não se deixe influenciar pelos outros. Exerça o seu sentido crítico.

- Informe-se para poder formar opiniões consistentes.

- Aprenda a escutar os outros e seja o primeiro a ajudar quem precise de você.

- Aprenda mais, informe-se mais, aumente os seus conhecimentos da vida.

- Proteja o seu bem-estar através de ações concretas como dormir bem, alimentar-se de forma saudável, ter um estilo de vida equilibrado e isento o mais possível de compromissos financeiros de longo prazo.

Com estas estratégias, terá uma existência emocional mais harmoniosa, evitará picos de ansiedade ou de pânico, sentir-se-á mais feliz. Se necessário agende um programa de atividades que ajude você a manter-se mais positivo e animado.

Nelson S Lima

REVEJA OS SEUS PADRÕES MENTAIS

A nossa natureza leva-nos a adquirir certos padrões repetitivos que se tornam automáticos e rotineiros. Isso é perfeitamente normal. É uma estratégia do organismo (neste caso, do cérebro) para podermos dispensar atenção ao que é novo, ao inesperado, ao mais urgente ou ao mais importante.

Infelizmente, isso tem os seus custos. É que, quando esses comportamentos padronizados tomam conta dos nossos dias, a nossa vida corre o risco de ficar monótona e perder interesse (incluindo para quem viva e conviva connosco). Pior: perdemos capacidade criativa, desaparece-nos a inspiração, evitamos mudanças e adiamos sonhos e projetos.

Tornamo-nos conformistas e vivemos num ciclo vicioso, repetitivo. E os dias vão-se somando e ao mesmo tempo esgotando pois todos temos um limite de tempo a partir do qual só temos como garantia milhões e milhões de anos encerrados num pedaço de terra.

Repare: o dia de hoje é menos um no nosso calendário. Reaja. Altere todos os padrões (incluindo pensamentos) que estejam a impedir uma vida diferente (se for esse o seu desejo). Dir-se-á que a vida está difícil, que estamos prisioneiros de empregos, compromissos e outras dependências.

Pois bem, a vida da grande maioria das pessoas é, infelizmente, repetitiva. Segundo li algures 80% do nosso tempo é pura repetição de comportamentos, atividades e tarefas. Também é verdade que muitas pessoas não querem outra coisa.

Segundo outra informação, que li em tempos, o tipo de assunto que estou aqui a escrever só interessará a uns meros 15% de pessoas: os inconformistas, os desejosos de mudar. Já não é mau.

Nelson S Lima

COMO PODEMOS MELHORAR AQUILO QUE SENTIMOS?


Na capa da revista "Sciences et Avenir", de Dezembro 2010, refere-se que "as emoções tornam-nos mais inteligentes". Os depoimentos dos vários cientistas ouvidos pela revista (incluindo António Damásio) apontam todos no sentido de que podemos aprender a ser emocionalmente inteligentes, ou seja, sabermos tomar decisões com a ajuda das boas emoções e evitando fazê-lo quando estamos sob o efeito daquelas que nos sejam nocivas. A essa técnica se dá o nome de "regulação emocional".

Dado que, como escreveu António Damásio, "uma decisão racional é uma decisão impossível" devemos então fazer uma aprendizagem sobre a natureza das emoções e de como elas atuam no nosso corpo e influenciam os nossos comportamentos.

A ligação das emoções aos instintos é também muito forte e, frequentemente, é essa ligação que determina muitas das nossas reações, sobretudo as impulsivas.

Não nos esqueçamos que, devido à história do nosso cérebro, os instintos e as emoções marcam a maioria das nossas escolhas e comportamentos. Por isso é que a nossa capacidade analítica e racional - mesmo exigindo reflexão atenta - está sempre sob influência do nosso humor (estado de espírito) e dos muitos tipos de emoções (e da sua intensidade) que fazem parte do nosso espólio biológico.

Convém ter em conta que o equilíbrio emocional é decisivo. Se estivermos muito alegres e eufóricos estaremos muito mais sujeitos a precipitar-nos em decisões irracionais e impulsivas. Se estivermos deprimidos poderemos cometer diversos erros (nomeadamente de apreciação). Já se a apatia nos dominar a alma é muito provável que demos menos atenção às coisas e tenhamos dificuldade em tomar qualquer decisão.

Para a "otimização emocional" devemos enveredar por uma aprendizagem que envolva as seguintes 5 áreas:

- sabermos identificar e diferenciar as nossas emoções (sobretudo as mais correntes);
- localizar os fatores que estejam a provocar e a promover as nossas emoções (por que estamos encolerizados? ou ansiosos? ou tristes? ou envergonhados? etc.);
- melhorar a forma como expressamos socialmente as nossas emoções;
- regular (equilibrar) o nosso humor através de ações (por exemplo, se estivermos tristes procuremos algo que nos distraia em vez de nos isolarmos; por vezes basta sairmos, caminharmos, lermos, vermos um filme, conversarmos com amigos, etc.);
- utilizar as emoções como alavanca para fazermos coisas interessantes e que nos dêem prazer e motivação.

Nelson S Lima

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